
No meu último post, compartilhei como o aumento do aluguel transformou a moradia em um grande dilema financeiro. Desde então, essa busca por equilíbrio entre custo, qualidade de vida e segurança contratual só se aprofundou.
A missão parecia simples: encontrar um imóvel bom, por um valor razoável e com um contrato justo. Mas a prática mostrou que não é tão fácil assim.
Visitei vários lugares. Um deles estava em ótimo estado e com localização privilegiada, permitindo resolver quase tudo a pé. O problema era o trânsito: ir para o trabalho significaria enfrentar engarrafamentos pesados. Hoje passo a maior parte do tempo em teletrabalho, mas sei que isso não é garantia eterna. Além disso, mesmo a distância não sendo muito grande, eu gastaria muitas horas dirigindo por causa do trânsito. Ponderando o custo de gasolina e tempo, mesmo esse aluguel sendo mais barato, no fim teria sido melhor continuar onde estava e economizar tempo e saúde mental.
Outro imóvel, que também atendia bem em termos de estrutura, veio com um obstáculo diferente: o contrato. Uma multa de 20% sobre o saldo inviabilizava flexibilizar o prazo de 12 para 36 meses e um contrato com essa duração é o que mais me atende, pois durante a vigência o proprietário não pode exigir reajuste acima do índice previsto no contrato. Além disso, encontrei cláusulas ultrapassadas ou até ilegais, como considerar abandono após dois meses de ausência mesmo com contas pagas, exigir aviso prévio de 60 dias, e não assinar o termo de vistoria de saída na entrega das chaves. Diante disso, a insegurança pesou mais do que as vantagens.
E, para completar a lista de experiências, vivi uma situação inusitada. Uma pessoa do prédio onde eu morava (e não aceitei o reajuste) entrou em contato oferecendo o próprio apartamento, que havia sido desocupado pela inquilina anterior. Fui visitar, mas para minha surpresa — mesmo sendo o mesmo prédio — as condições eram precárias. Para vocês terem uma ideia, algumas cerâmicas da cozinha estavam presas com fita durex larga. E o aluguel? Um pouco menos que três salários mínimos. Depois da visita fiquei refletindo sobre o que vale mais a pena: localização do imóvel ou o conforto que ele te proporciona? Eu nem cogitei a ideia de negociar arrumar o apartamento de tão ruim que estava, mesmo a localização sendo ótima. Simplesmente, não valia a pena!
Diante de tantos impasses, até cogitei a compra. Com os preços dos aluguéis, parecia fazer sentido. Mas, ao procurar com calma, percebi que encontrar um imóvel realmente bom para comprar é outro desafio — e não queria tomar uma decisão precipitada apenas para fugir da pressão do aluguel.
Resultado: sigo morando em um Airbnb. Curiosamente, o custo é praticamente o mesmo que eu tinha antes do reajuste no aluguel anterior. E a economia de não ter aceitado o contrato antigo, mesmo com toda a incerteza, já começa a aparecer.
